sexta-feira, 2 de junho de 2017

Supositórios mastigáveis.

Continuando a onda de denuncias, gravações comprometedoras e bocas nos trombones, não haverá eleições nunca mais, por absoluta falta de candidatos. Obviamente os legislativos e os executivos serão extintos e não haverá mais necessidade de judiciário e tampouco de seitas e religiões. O país economizara uma enorme montanha de dinheiro público surrupiado dos contribuintes de classe média, já que os mais ricos nunca pagaram o devido. A administração pública se fará por meio de assembleias deliberativas, em praças públicas. Havendo imperiosa necessidade de alguns administradores ou cagadores de ordens estes serão escolhidos entre os mais pobres e miseráveis dos municípios, estados ou federação que não poderão ser punidos se, por ventura, afanarem alguns trocados do erário. Se, mesmo assim, o país não se tornar sério, todos os imigrantes e seus descendentes serão recambiados aos seus países de origem. Os aeroportos e portos serão explodidos e dar-se-á chance para que, nos próximos 500 ou 600 anos as populações indígenas, as matas, as florestas, os rios, o mar e a fauna se recuperem.

Academia Brasileira de Letras

Sr. Presidente Domício Proença Filho
Pelo presente venho me candidatar à cadeira deixada vaga pelo falecimento do imortal Eduardo Portella.
Minha obra literária pode ser verificada em vários blogs que podem ser acompanhados pela rede mundial de computadores.
Após alguma pesquisa, constato que nunca foram imortais da ABL os autores Monteiro Lobato, Campos de Carvalho, Chico Buarque, Paulo Freire, Frei Betto, Vinicius de Moraes, Henfil, Drumond, Fernando Moraes e centenas de outros competentes autores brasileiros. Constato, dessa forma que não é o gabarito e a competência do autor que o torna elegível para a honraria como se pode observar na relação dos atuais acadêmicos.
Pelo exposto, solicito registrar minha candidatura para o pleito que se avizinha.
Grato,
Flávio Paes Pedro
Você nunca esqueceu o meu. Eu não poderia esquecer o seu. Onde quer que você esteja!!!

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Ato falho ou plano do crime?

Quando a Companhia Vale do Rio Doce foi doada, por FHC e seus cúmplices, à iniciativa privada ou pirata, uma das primeiras ações tomadas pelos novos donos, foi chamar a empresa de tão somente Vale numa deslavada confissão do que viria a seguir: A pura e simples eliminação do Rio Doce!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Bonito Lindo.

Não se podia dizer que o rapaz fosse bonito e muito menos lindo.
Não foi por causa da beleza física que ganhou o apelido.
Em todos ou quase todos os plantões noturnos era a mesma situação.
Lá pelas tantas, no final da noite ou começo da madrugada, o pessoal em serviço acabava pedindo uma pizza para comer. Arrecadava-se a parte que cabia a cada um e dois ou três saiam para uma pizzaria a fim de adquirir a “janta”. O rapaz fazia parte da equipe de “busca” e, invariavelmente, comprava uma inteira para si mesmo. O porte arredondado não se contentava com o um quarto, ou dois pedaços de uma “rodela” de oito, que bastava aos demais. Depois das conversas, risos e goles de refrigerantes cada um ia se dirigindo a uma das salas na esperança de que nada tumultuasse o restante do plantão e que se pudesse dar uma cochilada.
O gordinho se afastava com o inevitável “Bom, vou dar uma cagadinha!”.
Quem já teve a desumanidade de prender o Gaturamo (Euphonia violacea L.), passarinho conhecido por “bonito lindo”, numa gaiola sabe que ele alimenta-se basicamente de frutas, ali, na região notadamente bananas. Adora o seu canto e suas cores e aprende que logo após umas poucas bicadas na fruta, inapelavelmente perpetra uma cagadela.
Aquele povo, ao qual nada escapava, complementava com o “Vai lá Bonito Lindo, vai lá”

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Retrato parisiense II.

Ela sentou-se numa das cadeiras vermelhas do La Rotonde, na calçada, e pediu um café.
Mais do que o gosto da bebida, o que lhe afagava os cabelos soltos, o rosto bonito e, principalmente, a memória, era o cheiro de manhã na mesa da copa de sua casa com a mãe e as irmãs, todos os dias, pouco antes de sair para a escola. Não eram as pessoas e os veículos circulando em Paris. Eram a família, as amigas, a casa, a rua tão conhecida e sua distante cidade. Fechou mansamente os olhos, para não afugentar os pensamentos e os sonhos, e naquela breve eternidade contemplou as paisagens mais íntimas de si mesma.
O garçom que, solícito, vinha saber de outros eventuais pedidos sustou a caminhada e parou por uns instantes para não interromper a viagem dela. Quem a visse ali, calma, compenetrada e com o cativante sorriso nos lábios, sorriria também. Quando se levantou para sair deixou, sobre a mesinha, um guardanapo com a anotação “Je suis mes paysages intérieurs et mes limites.”

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Da importância de virar esterco, adubo.


Quiçá seja este o aprendizado mais gritante e desprezado da nossa importância, se alguma há. Do aparente quase nada que vegetais retiram da terra e da água surgem brotos e novas folhas que crescem e alimentam de pequenas a gigantescas plantas e árvores (até mesmo as genealógicas). Crescemos, florescemos, frutificamos, tombamos e nos incorporamos ao solo. Tornamo-nos, pelo bem ou pelo mal que cultivamos nesta fugaz existência, alimento (bom ou ruim) dos que virão. Se não estragarmos ou acabarmos com nossa pequenina bolota habitáculo, quem sabe consigamos ser tão importantes (ou insignificantes) quanto cocô de abelha ou passarinho. Virar esterco, adubo!