Há pessoas que preferem flores de plástico. São coloridas, parecidas com as verdadeiras e não dão nenhum trabalho. Quando ficam velhas ou com as cores abatidas, são simplesmente jogadas fora. As lojas de R$ 1,99 fornecem outras.
Outras não dispensam de modo algum as verdadeiras mesmo sabedoras de que terão beleza efêmera e necessitem de esporádicas trocas de água nos vasos. Algumas outras pessoas, entretanto, não se contentam nem com umas e nem com outras. Preferem as flores vivas, aquelas que são criadas em vasos ou jardins. Sabem que estas precisam de carinho, atenção, água, de vez em quando adubo e/ou troca de terra e até mesmo combate às pragas.
Alegam estas últimas pessoas, que as vivas são incomparáveis. Seguem a rotina de todos os seres vivos, aparecem como botões, desabrocham e fenecem. Suas formas e cores são inigualáveis e mutantes à medida que se desenvolvem. Além disso, boa parte delas é perfumada. Do escandaloso perfume das gardênias à humilde fragrância das rosas.
Cada uma destas flores não se mostra o tempo todo. Há o tempo em que se recolhem nas suas hastes, folhas e raízes, acumulando forças para florescer novamente. Nem por isso se pode descuidar das plantas. É necessário dar-lhes a devida manutenção. É imprescindível a atenção e o carinho. As regas, a troca de vasos e a retirada de folhas e ramos mortos. Tarefa diuturna. Bem cuidadas, a recompensa não tarda. E como é fantástica a recompensa!
Acontece coisa semelhante com amizades e amores. Com relacionamentos. Todos precisam de constante manutenção. Há de haver compartilhamento. Duplos cuidados. Não há relacionamentos de mão única. Se uma das partes se interessa, se preocupa, cuida e acarinha, mas não há a necessária contrapartida a relação definha, seca, fenece. É necessário conhecer-se a planta. Saber se precisa de mais ou menos água, mais ou menos sol, se suporta podas ou não. Que quantidade e que tipo de nutrientes são imprescindíveis para que prospere plenamente.
Há, ainda assim, quem acredite em relações de R$ 1,99. Há quem acredite que relacionamentos sobrevivam sem dupla doação. Há quem se dedique às relações eletrônicas, às mensagens prontas copiadas e enviadas ao mesmo tempo para os duzentos ou quinhentos amigos (??), em lugar de um oi, olá ou como vai, ditos ou escritos individual e pessoalmente. Há quem prefira ter e cultivar quatro amigos (como o Chicão de Itanhaém que os identificou entre os conhecidos quando ficou doente e necessitado) e quem queira ter um milhão de amigos, como se fosse possível tê-los nessa quantidade (como cantava o Roberto Carlos antes até que a internet se espalhasse globalmente). Talvez seja o caso de redefinir-se o significado das palavras amor, amizade, afeição, dedicação e benevolência.
Nestes tempos de amores virtuais ou eletrônicos, talvez seja o caso de substituir-se tudo isso por curtir (que alguns dicionários ainda registram somente como preparar o couro, endurecer, sofrer, padecer e suportar). João curtiu Maria. Maria curtiu José. João descurtiu José e Maria.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Cancelamento da I Olimpíada de Esportes Aquáticos de Musácea.
Agora que já iam avançadas as inscrições para os Jogos Olímpicos de Musácea, os lagos, piscinas e raias olímpicas que seriam utilizados nas competições foram cobertos por grossa camada de asfalto. Pelas informações recebidas na redação, a municipalidade achou muito elevados os custos para a instalação das balsas que transportariam veículos e passageiros de um lado ao outro das enormes massas de água existentes na estrada (onde ocorreriam as disputas), e após estudos acurados, decidiu assoreá-los completamente. Como se pode observar nas fotos, as raias que estavam quase cheias, foram totalmente cobertas. Aos inúmeros funcionários que estavam sendo contratados pela administração do evento e às diversas confederações sul-americanas que já tinham mandado suas inscrições, encarecidamente pedimos desculpas.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Rodeio, UFC e a nossa hipocrisia - Parte 2. Prá Thais.
Das generosas pessoas que lêem estas mal traçadas linhas, uma, que adoro, postou um comentário, na postagem anterior, que tomo a liberdade de transcrever:
“Contrariando um pouco você vou dizer que odeio rodeios, mas gosto muito de UFC. Para mim, a diferença é clara: Os lutadores estão lá por livre vontade, enquanto os animais, vítimas de abusos incontáveis, se tivessem opção, certamente estariam bem longe, usando suas tão queridas "bolas", picanhas e lombinhos de forma mais agradável a eles... rs
Já disse que te amo?”
É ótimo ser contrariado um pouco, principalmente por quem se ama. Isso dá margem para me estender sobre o assunto.
Achar que os lutadores estão lá por livre vontade não seria forçar um pouco a barra? Não estariam eles lá, também como animais, sangrando e fazendo sangrar porque a grana que lhes é oferecida, pelas empresas que os exploram, é muito melhor que a recebida como pedreiros, lavradores, estivadores, etc., etc.? Não lhe parece ser o mesmo caso dos peões? Que outras chances de fama e riqueza teriam eles, sem estudo e sem outras oportunidades, senão servirem à sanha daqueles que pagam para assistir a essas e outras carnificinas que expõe o lado mais violento e detestável dos seres ditos humanos?
Não serão os galos de briga, os bois e os cavalos dos rodeios muito melhor tratados e cuidados do que se estivessem nos quintais e pastos à espera de virarem coxinhas, picanhas e salsichas? Os animais, tanto esses quanto os do UFC, não parecem mais saudáveis? Não brigam aqueles bichos por território, galinhas, vacas e éguas ou para proteger os filhotes? Não brigam os humanos, e se matam, por mulheres, dinheiro, petróleo, carros, bolsas e celulares? Que mal teria então ganhar uma puta grana com isso lotando estádios, ginásios e cadeiras diante dos televisores?
O mal, prá mim, é ganhar uma puta grana com isso. Fazer disso o deleite de quem possa pagar. É incentivar outros a fazerem o mesmo, nas arenas, nas ruas, nas casas, nas escolas, no dia a dia. É provar, incentivar e incutir, principalmente aos mais novos, que com violência também se pode ficar muito rico e famoso. Não lhe parece hipócrita mostrar UFC nos televisores e, logo em seguida, dizer que as agressões nos lares e nas escolas são erradas?
Não seria o caso de construirmos, nas casas, nas escolas e nas praças os tais octógonos? Cada criança só poderia espancar seu coleguinha e fazê-lo sangrar dentro de tais espaços. As outras crianças pagariam para ver. Não valeriam chutes nos pintinhos e nas pererequinhas. Os vencedores passariam de ano e os perdedores teriam que estudar. O presidente dos Estados Unidos levaria para a arena, que se construiria na ONU, o seu colega do Iraque. Se vencesse poderia explorar o petróleo do outro país e, principalmente, as mulheres e crianças iraquianas não seriam assassinadas pelos soldados americanos. Os ladrões esperariam pelas suas vítimas junto aos ringues. Se ganhassem poderiam levar seus anéis, bolsas e celulares. Além dos chutes no saco não se permitiriam armas. Se a vítima vencesse voltaria para sua casa apenas sangrando e com algumas fraturas, mas com seus pertences. O ladrão esperaria outra vítima mais fraca, mas ainda assim dentro dos limites de sua categoria. Quem não quisesse ser assaltado, simplesmente evitaria as praças com octógonos.
Não lhe parece hipócrita dizer às crianças na mesa de jantar que apertar o pinto dos bois e cavalos, para que pulem, é condenável, mas que precisam comer carne para que fiquem grandes, fortes e saudáveis? Não deveríamos também dizer-lhes que o franguinho teve o pescoço quebrado para que morresse. Que o porquinho levou uma facada no coração e o boizinho morreu com uma marretada na cabeça? Que foram castrados para que ficassem mais calmos e gordos?
Não há certa similitude no “fabuloso” capitalismo selvagem em que vivemos? Alguns imperadores determinam que a maioria seja castrada nos estudos, nas condições de trabalho e vida e nas remunerações, para que fiquem mais calmos e mais abunde a mão de obra barata? Não nos jogam a todos nas arenas e nos octógonos para que disputemos com lágrimas, tapas, pontapés, sangue e fraturas as migalhas que nos jogam. É um pouco pior porque valem o dedo nos olhos e os chutes no saco.
É muito pior porque a cavalgada dura bem mais que os oito segundos e não pulamos e nem tentamos derrubar os cavaleiros.
Voltando à sua mensagem, você vive me contrariando. Eu queria ver você muito mais vezes, você não vem. Eu queria abraçar você todos os dias, você não quer. Eu precisaria do seu sorriso e do seu carinho sempre e você não permite. Dessas contrariedades, definitivamente eu não gosto, se bem que agora fica mais claro: Que coração pode ter uma sobrinha que gosta de UFC?
E, sim, você já disse. Mas foram tão poucas as vezes que eu acabo esquecendo se não sou permanentemente lembrado (deve ser coisa da idade). A recíproca é absurdamente verdadeira.
“Contrariando um pouco você vou dizer que odeio rodeios, mas gosto muito de UFC. Para mim, a diferença é clara: Os lutadores estão lá por livre vontade, enquanto os animais, vítimas de abusos incontáveis, se tivessem opção, certamente estariam bem longe, usando suas tão queridas "bolas", picanhas e lombinhos de forma mais agradável a eles... rs
Já disse que te amo?”
É ótimo ser contrariado um pouco, principalmente por quem se ama. Isso dá margem para me estender sobre o assunto.
Achar que os lutadores estão lá por livre vontade não seria forçar um pouco a barra? Não estariam eles lá, também como animais, sangrando e fazendo sangrar porque a grana que lhes é oferecida, pelas empresas que os exploram, é muito melhor que a recebida como pedreiros, lavradores, estivadores, etc., etc.? Não lhe parece ser o mesmo caso dos peões? Que outras chances de fama e riqueza teriam eles, sem estudo e sem outras oportunidades, senão servirem à sanha daqueles que pagam para assistir a essas e outras carnificinas que expõe o lado mais violento e detestável dos seres ditos humanos?
Não serão os galos de briga, os bois e os cavalos dos rodeios muito melhor tratados e cuidados do que se estivessem nos quintais e pastos à espera de virarem coxinhas, picanhas e salsichas? Os animais, tanto esses quanto os do UFC, não parecem mais saudáveis? Não brigam aqueles bichos por território, galinhas, vacas e éguas ou para proteger os filhotes? Não brigam os humanos, e se matam, por mulheres, dinheiro, petróleo, carros, bolsas e celulares? Que mal teria então ganhar uma puta grana com isso lotando estádios, ginásios e cadeiras diante dos televisores?
O mal, prá mim, é ganhar uma puta grana com isso. Fazer disso o deleite de quem possa pagar. É incentivar outros a fazerem o mesmo, nas arenas, nas ruas, nas casas, nas escolas, no dia a dia. É provar, incentivar e incutir, principalmente aos mais novos, que com violência também se pode ficar muito rico e famoso. Não lhe parece hipócrita mostrar UFC nos televisores e, logo em seguida, dizer que as agressões nos lares e nas escolas são erradas?
Não seria o caso de construirmos, nas casas, nas escolas e nas praças os tais octógonos? Cada criança só poderia espancar seu coleguinha e fazê-lo sangrar dentro de tais espaços. As outras crianças pagariam para ver. Não valeriam chutes nos pintinhos e nas pererequinhas. Os vencedores passariam de ano e os perdedores teriam que estudar. O presidente dos Estados Unidos levaria para a arena, que se construiria na ONU, o seu colega do Iraque. Se vencesse poderia explorar o petróleo do outro país e, principalmente, as mulheres e crianças iraquianas não seriam assassinadas pelos soldados americanos. Os ladrões esperariam pelas suas vítimas junto aos ringues. Se ganhassem poderiam levar seus anéis, bolsas e celulares. Além dos chutes no saco não se permitiriam armas. Se a vítima vencesse voltaria para sua casa apenas sangrando e com algumas fraturas, mas com seus pertences. O ladrão esperaria outra vítima mais fraca, mas ainda assim dentro dos limites de sua categoria. Quem não quisesse ser assaltado, simplesmente evitaria as praças com octógonos.
Não lhe parece hipócrita dizer às crianças na mesa de jantar que apertar o pinto dos bois e cavalos, para que pulem, é condenável, mas que precisam comer carne para que fiquem grandes, fortes e saudáveis? Não deveríamos também dizer-lhes que o franguinho teve o pescoço quebrado para que morresse. Que o porquinho levou uma facada no coração e o boizinho morreu com uma marretada na cabeça? Que foram castrados para que ficassem mais calmos e gordos?
Não há certa similitude no “fabuloso” capitalismo selvagem em que vivemos? Alguns imperadores determinam que a maioria seja castrada nos estudos, nas condições de trabalho e vida e nas remunerações, para que fiquem mais calmos e mais abunde a mão de obra barata? Não nos jogam a todos nas arenas e nos octógonos para que disputemos com lágrimas, tapas, pontapés, sangue e fraturas as migalhas que nos jogam. É um pouco pior porque valem o dedo nos olhos e os chutes no saco.
É muito pior porque a cavalgada dura bem mais que os oito segundos e não pulamos e nem tentamos derrubar os cavaleiros.
Voltando à sua mensagem, você vive me contrariando. Eu queria ver você muito mais vezes, você não vem. Eu queria abraçar você todos os dias, você não quer. Eu precisaria do seu sorriso e do seu carinho sempre e você não permite. Dessas contrariedades, definitivamente eu não gosto, se bem que agora fica mais claro: Que coração pode ter uma sobrinha que gosta de UFC?
E, sim, você já disse. Mas foram tão poucas as vezes que eu acabo esquecendo se não sou permanentemente lembrado (deve ser coisa da idade). A recíproca é absurdamente verdadeira.
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Rodeio, UFC e a nossa hipocrisia.
Há algum tempo falei aqui de uma madame que, na televisão, reclamava do excesso de atenção dado às crianças abandonadas em detrimento dos cães que vivem pelas ruas. Agora a gritaria e a indignação originadas pela morte do bezerro no rodeio de Barretos tomam conta de todas as mídias.
Nada contra os protestos de qualquer tipo ou espécie. Inda mais eu! Protestar também faz parte, assim como a hipocrisia, dos mais primitivos sentimentos e atos humanos, desde o seu nascimento. Que o diga o Victor, meu sobrinho, quando minha irmã não lhe enfia boca à dentro os bicos dos seios, a cada duas horas, para que mame. No caso dele, todos os protestos são imediatamente atendidos, onde e quando quer que ocorram.
Absolutamente nada contra, também, quanto a tratar melhor os animais. Todos os animais, incluindo os da minha espécie, deveriam ser tratados com mais dignidade. Diria mais, deveríamos tratar muito melhor todos os seres vivos que coabitam conosco este mundinho, incluindo plantas, a terra, a água e o ar, sem os quais não conseguiríamos viver.
Definitiva e absolutamente tudo contra os rodeios. Grande imbecilidade que nada tem com nossa cultura. Absurda idiotice que importamos dos estadunidenses. Ao que me consta, aqueles touros e cavalos que pulam desesperados sob os olhares maravilhados dos espectadores, o fazem porque tem parte do corpo (onde ficam órgãos internos e o pênis) amarrado com uma cordinha, o sedém, que é puxada quando se inicia a contagem dos oito segundos durante os quais, outro animal tenta ficar sobre ele. O mais correto e igualitário seria, no mínimo, amarrar também o pênis do montador de tal forma que a cada pulo do touro ou cavalo mais se apertasse a laçada sobre o membro do peão.
Que dizer então das brigas televisionadas e assistidas por milhões de espectadores ao redor do globo, como o tal UFC (Ultimate Fighting Championship – de propriedade do americano Dana White), que o Brasil teve o “privilégio” de sediar dia destes. Os organizadores afirmam categoricamente que se trata do “esporte” que mais cresce no mundo e que já desbancou ou vai desbancar o futebol no quesito quantidade de apreciadores. Pelo pouco que sei, as regras permitem fraturas de quaisquer espécies e jorros de sangue. O que não se permite é chutar o saco (o pinto e os testículos humanos são mais bem protegidos que os dos bovinos) e enfiar o dedo nos olhos superiores (parece-me que o inferior é liberado).
Apesar de estarmos no século vinte e um, continuamos urrando e babando como fazíamos nas arenas e coliseus romanos. Mais dia menos dia voltaremos a virar o polegar para baixo pedindo a cabeça de um dos gladiadores. Os imperadores, agora de terno e gravata, nacionais ou importados, continuam dando circo em vez de pão e à custa de suas platéias abarrotam seus já recheados cofres, tão mais rapidamente quanto mais sangrem ou morram seus bezerros, seus peões ou seus lutadores.
Neste mesmo instante, em todos os cantos, milhões de pessoas, a maioria crianças, morrem de fome enquanto se desperdiçam toneladas e toneladas de alimentos e uns poucos especulam com o preço dos gêneros alimentícios. Países mais pobres são invadidos, e suas populações assassinadas, para que suas riquezas sejam saqueadas. Políticos e outros espertos surrupiam os cofres públicos.
Nesse ínterim, nós os hipócritas, deliciamo-nos com um churrasco de vitela, um lombinho de porco, uma paleta de carneiro e um coraçãozinho de galinha. É provável que lá no fundo, bem lá no fundo, acreditemos que esses animais todos se imolaram propositadamente e de bom grado para nos satisfazer. Enquanto tomamos uma cervejinha gelada e apanhamos uma lasca de picanha temperada no sal grosso, exigimos a cabeça do peão.
Não sou um desses lutadores, ou porque tenho miolos ou porque não tenho músculos, mas também gostaria imensamente que preservassem o meu saco.
Nada contra os protestos de qualquer tipo ou espécie. Inda mais eu! Protestar também faz parte, assim como a hipocrisia, dos mais primitivos sentimentos e atos humanos, desde o seu nascimento. Que o diga o Victor, meu sobrinho, quando minha irmã não lhe enfia boca à dentro os bicos dos seios, a cada duas horas, para que mame. No caso dele, todos os protestos são imediatamente atendidos, onde e quando quer que ocorram.
Absolutamente nada contra, também, quanto a tratar melhor os animais. Todos os animais, incluindo os da minha espécie, deveriam ser tratados com mais dignidade. Diria mais, deveríamos tratar muito melhor todos os seres vivos que coabitam conosco este mundinho, incluindo plantas, a terra, a água e o ar, sem os quais não conseguiríamos viver.
Definitiva e absolutamente tudo contra os rodeios. Grande imbecilidade que nada tem com nossa cultura. Absurda idiotice que importamos dos estadunidenses. Ao que me consta, aqueles touros e cavalos que pulam desesperados sob os olhares maravilhados dos espectadores, o fazem porque tem parte do corpo (onde ficam órgãos internos e o pênis) amarrado com uma cordinha, o sedém, que é puxada quando se inicia a contagem dos oito segundos durante os quais, outro animal tenta ficar sobre ele. O mais correto e igualitário seria, no mínimo, amarrar também o pênis do montador de tal forma que a cada pulo do touro ou cavalo mais se apertasse a laçada sobre o membro do peão.
Que dizer então das brigas televisionadas e assistidas por milhões de espectadores ao redor do globo, como o tal UFC (Ultimate Fighting Championship – de propriedade do americano Dana White), que o Brasil teve o “privilégio” de sediar dia destes. Os organizadores afirmam categoricamente que se trata do “esporte” que mais cresce no mundo e que já desbancou ou vai desbancar o futebol no quesito quantidade de apreciadores. Pelo pouco que sei, as regras permitem fraturas de quaisquer espécies e jorros de sangue. O que não se permite é chutar o saco (o pinto e os testículos humanos são mais bem protegidos que os dos bovinos) e enfiar o dedo nos olhos superiores (parece-me que o inferior é liberado).
Apesar de estarmos no século vinte e um, continuamos urrando e babando como fazíamos nas arenas e coliseus romanos. Mais dia menos dia voltaremos a virar o polegar para baixo pedindo a cabeça de um dos gladiadores. Os imperadores, agora de terno e gravata, nacionais ou importados, continuam dando circo em vez de pão e à custa de suas platéias abarrotam seus já recheados cofres, tão mais rapidamente quanto mais sangrem ou morram seus bezerros, seus peões ou seus lutadores.
Neste mesmo instante, em todos os cantos, milhões de pessoas, a maioria crianças, morrem de fome enquanto se desperdiçam toneladas e toneladas de alimentos e uns poucos especulam com o preço dos gêneros alimentícios. Países mais pobres são invadidos, e suas populações assassinadas, para que suas riquezas sejam saqueadas. Políticos e outros espertos surrupiam os cofres públicos.
Nesse ínterim, nós os hipócritas, deliciamo-nos com um churrasco de vitela, um lombinho de porco, uma paleta de carneiro e um coraçãozinho de galinha. É provável que lá no fundo, bem lá no fundo, acreditemos que esses animais todos se imolaram propositadamente e de bom grado para nos satisfazer. Enquanto tomamos uma cervejinha gelada e apanhamos uma lasca de picanha temperada no sal grosso, exigimos a cabeça do peão.
Não sou um desses lutadores, ou porque tenho miolos ou porque não tenho músculos, mas também gostaria imensamente que preservassem o meu saco.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Aparente incompetência.
Quem viaja pela rodovia Padre Manoel da Nóbrega, da BR 116 à Baixada Santista, com certeza já caiu em dezenas ou centenas dos milhares de buracos existentes no trecho Miracatu / Peruíbe. Motoristas desavisados ou desinformados já elegeram as mães dos responsáveis como alvo das mais inomináveis ofensas.
Não se trata, como julga a maioria, de exemplar falta de capacidade administrativa ou de deslavado desleixo de Geraldinho, o Governador do Estado. Também não se pode afirmar que se trata de governo inoperante ou que os órgãos estaduais, que deveriam cuidar da manutenção e da segurança dessa estrada, estejam defecando e caminhando para os usuários que inadvertida ou obrigatoriamente se utilizem da mesma.
Eu que, depois da morte da Velhinha de Taubaté (Luis Fernando Verissimo), sou o único habitante do país que ainda acredita que os governantes governam, os legisladores legislam e os magistrados julgam, tudo dentro do absoluto respeito à lei e às necessidades maiores do povo, imagino que algo de bom esteja por trás dessa aparente canalhice.
Uma das coisas que me ocorre é a existência de um amplo e profícuo acordo entre o Governo do Estado e as fábricas e empresas ligadas aos veículos. O governo e as empreiteiras providenciam as construções e reformas de estradas com materiais vagabundos e superfaturados. Depois não fazem nenhum tipo de manutenção de tal forma que qualquer garoa, cuspida ou mijada de cachorro provoque buracos. Em seguida, as carretas com excesso de carga não fiscalizada transformam cada buraco em cratera. Finalmente entramos nós todos, os usuários, como cobaias, testando as suspensões e os pneus dos veículos. Após cada quebra ou dano nos dirigimos às oficinas, borracharias ou concessionárias e pagamos os consertos.
Ganhamos todos nós. Os administradores que gastam pouco e ainda levam um por fora. As fábricas e suas concessionárias que ganham muito e ainda testam seus produtos, não em testes, mas no uso real, no dia a dia. As oficinas, com mais serviço, geram empregos. Os acidentados utilizam guinchos, mecânicos, funileiros e borracheiros. São encaminhados aos hospitais que precisam de mais médicos, enfermeiras e atendentes. Cada um de nós, as cobaias, ganhamos em experiência, paciência e tolerância além de um, não comprovado cientificamente, aumento do volume da bolsa escrotal.
Os quase novecentos reais que gastei com conserto de suspensão, troca de amortecedores, alinhamento e balanceamento de rodas do meu pobre Mille não são nada diante de todos esses benefícios e vantagens.
Perdoem-me senhoras mães.
Não se trata, como julga a maioria, de exemplar falta de capacidade administrativa ou de deslavado desleixo de Geraldinho, o Governador do Estado. Também não se pode afirmar que se trata de governo inoperante ou que os órgãos estaduais, que deveriam cuidar da manutenção e da segurança dessa estrada, estejam defecando e caminhando para os usuários que inadvertida ou obrigatoriamente se utilizem da mesma.
Eu que, depois da morte da Velhinha de Taubaté (Luis Fernando Verissimo), sou o único habitante do país que ainda acredita que os governantes governam, os legisladores legislam e os magistrados julgam, tudo dentro do absoluto respeito à lei e às necessidades maiores do povo, imagino que algo de bom esteja por trás dessa aparente canalhice.
Uma das coisas que me ocorre é a existência de um amplo e profícuo acordo entre o Governo do Estado e as fábricas e empresas ligadas aos veículos. O governo e as empreiteiras providenciam as construções e reformas de estradas com materiais vagabundos e superfaturados. Depois não fazem nenhum tipo de manutenção de tal forma que qualquer garoa, cuspida ou mijada de cachorro provoque buracos. Em seguida, as carretas com excesso de carga não fiscalizada transformam cada buraco em cratera. Finalmente entramos nós todos, os usuários, como cobaias, testando as suspensões e os pneus dos veículos. Após cada quebra ou dano nos dirigimos às oficinas, borracharias ou concessionárias e pagamos os consertos.
Ganhamos todos nós. Os administradores que gastam pouco e ainda levam um por fora. As fábricas e suas concessionárias que ganham muito e ainda testam seus produtos, não em testes, mas no uso real, no dia a dia. As oficinas, com mais serviço, geram empregos. Os acidentados utilizam guinchos, mecânicos, funileiros e borracheiros. São encaminhados aos hospitais que precisam de mais médicos, enfermeiras e atendentes. Cada um de nós, as cobaias, ganhamos em experiência, paciência e tolerância além de um, não comprovado cientificamente, aumento do volume da bolsa escrotal.
Os quase novecentos reais que gastei com conserto de suspensão, troca de amortecedores, alinhamento e balanceamento de rodas do meu pobre Mille não são nada diante de todos esses benefícios e vantagens.
Perdoem-me senhoras mães.
Asfalto em Musácea.
Atendendo ao clamor dos moradores e visitantes do progressista bairro de Musácea, a Administração Municipal iniciou os trabalhos de pavimentação das estradas municipais.
A primeira via que está recebendo o asfalto é a que liga a estrada Musácea/Pedro de Toledo à rodovia Padre Manoel da Nóbrega, com quase dois quilômetros de extensão.
A continuarem os serviços no mesmo ritmo, dentro de mais alguns anos, essa via estará totalmente transitável.
Maravilhada e agradecida a população cogita em chamar, essa alça de acesso à rodovia estadual, de “Estrada Municipal Prefeita Dea Fátima Viana Leite Moreira da Silva” em homenagem aos maravilhosos serviços que têm prestado à comunidade. Nossas mais sinceras congratulações à operosa Prefeita e à diligente Vereadora do bairro.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!
Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, lançou há muito tempo a frase “Ou se restaura a moralidade ou nos locupletamos todos”. A frase pode não ser exatamente essa e há quem atribua a autoria a Millôr Fernandes, ao Barão de Itararé ou até mesmo a Rui Barbosa. Seja lá como for tem a ver muito com os tempos de pura sacanagem em que vivemos. Tem a ver com as maracutaias que vemos todos os dias nos mais variados meios de comunicação. Nada escapa ao vírus da filha-da-putice que contagia quaisquer esferas sejam públicas ou privadas. Vai de igrejas a governos, de parlamentos a associações civis e não infesta apenas esta ou aquela nacionalidade. É de caráter amplo, geral e irrestrito.
Obviamente Sérgio referia-se à moralidade pública e aos meios pouco ou nada honestos de enriquecer (se é que há meios honestos de enriquecer-se ou locupletar-se). Infelizmente o mandamento cunhado por ele dá a impressão de que há uma alternativa para a felicidade universal. Ou todos nós nos portamos como manda o figurino (que a cada dia está se tornando mais flexível) ou todos nós dançamos de acordo com a música (a sinfônica mutreta que nos assola).
Que me perdoe o Lalau (como também era conhecido Sérgio Porto), mas trata-se de crudelíssimo engano. Por mais que isso doa muito mais que a minha hemorróida, não há escapatória. Nenhuma das duas alternativas é possível!
Restaurar-se a moralidade, como cogita o autor, pressupõe que a tal tenha existido um dia, em qualquer canto do planeta. As cruzadas, as guerras, a escravidão, o nazismo, o fascismo, as invasões americanas, as grandes corporações e milhares de eteceteras provam exatamente o contrário. Não há como restaurar-se uma obra de arte que nunca existiu. Não é possível reformar o imóvel que não se ergueu.
Locupletarmo-nos todos é absolutamente impossível. É o que prometiam todas as fraudulentas “correntes da felicidade”. Como pode alguém ficar rico se não for à custa dos outros? Como pode um país transformar-se numa potência senão pela exploração da população e das riquezas naturais de outros países? Pode o bispo, o missionário, o padre ou o pastor comprar emissoras de rádio e televisão, aviões e helicópteros, mansões aqui e no exterior sem a exploração de suas ovelhas? Posso ter lucros absurdos sem a exploração da mão de obra ou dos consumidores?
Não sei se há luz no final desse túnel. Sempre resta a esperança de haver, até porque onde há a escuridão há (ou haverá) também a claridade. Por via das dúvidas, talvez seja o caso de cada um de nós acendermos já uma vela. Fazermos a nossa parte. E creia, é muito mais difícil do que parece!
Obviamente Sérgio referia-se à moralidade pública e aos meios pouco ou nada honestos de enriquecer (se é que há meios honestos de enriquecer-se ou locupletar-se). Infelizmente o mandamento cunhado por ele dá a impressão de que há uma alternativa para a felicidade universal. Ou todos nós nos portamos como manda o figurino (que a cada dia está se tornando mais flexível) ou todos nós dançamos de acordo com a música (a sinfônica mutreta que nos assola).
Que me perdoe o Lalau (como também era conhecido Sérgio Porto), mas trata-se de crudelíssimo engano. Por mais que isso doa muito mais que a minha hemorróida, não há escapatória. Nenhuma das duas alternativas é possível!
Restaurar-se a moralidade, como cogita o autor, pressupõe que a tal tenha existido um dia, em qualquer canto do planeta. As cruzadas, as guerras, a escravidão, o nazismo, o fascismo, as invasões americanas, as grandes corporações e milhares de eteceteras provam exatamente o contrário. Não há como restaurar-se uma obra de arte que nunca existiu. Não é possível reformar o imóvel que não se ergueu.
Locupletarmo-nos todos é absolutamente impossível. É o que prometiam todas as fraudulentas “correntes da felicidade”. Como pode alguém ficar rico se não for à custa dos outros? Como pode um país transformar-se numa potência senão pela exploração da população e das riquezas naturais de outros países? Pode o bispo, o missionário, o padre ou o pastor comprar emissoras de rádio e televisão, aviões e helicópteros, mansões aqui e no exterior sem a exploração de suas ovelhas? Posso ter lucros absurdos sem a exploração da mão de obra ou dos consumidores?
Não sei se há luz no final desse túnel. Sempre resta a esperança de haver, até porque onde há a escuridão há (ou haverá) também a claridade. Por via das dúvidas, talvez seja o caso de cada um de nós acendermos já uma vela. Fazermos a nossa parte. E creia, é muito mais difícil do que parece!
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