domingo, 11 de outubro de 2015
Explicação, mais do que plausível, para a salinidade dos oceanos.
Manhã. Sol encoberto. Praia quase deserta.
Casal caminhando na minha direção,
ali onde as ondas se tornam espumas rasas.
Ele gesticula com os braços nervosos e ela leva as mãos aos olhos.
Quando nos cruzamos sem que eu seja notado,
observo que lagrimas fogem do rosto dela e se jogam
na tentativa de misturarem-se àquela pequena porção
de água que retorna correndo à imensidão do Atlântico.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Hoje perdi um sol!
Hoje perdi um sol!
De nada serve o “amanhã ele voltará”.
Amanhã será outro, não o mesmo,
Como serei outro eu,
Como será outro mar, outras gaivotas, outras nuvens
e serão outros os reflexos na areia molhada.
Hoje, se quiser, devo valher-me de um sol antigo, já visto e já gravado.
Amanhã, se esta bola continuar a girar, o que espero ardorosamente,
Outro sol surgirá e, se puder, lá estarei eu, na fila do gargarejo, à espera
Para os digitais registros.
Ele não será o mesmo, assim como não será o mesmo
o tempo de fazer as coisas que ainda não fiz.
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Cicatrizes.
Podem perguntar-me:
Como foi?
Doeu?
Dói ainda?
Eu responderia que quando as cicatrizes estão consolidadas não doem mais fisicamente. Há exceções. Algumas, como as decorrentes de fraturas, por vezes doem quando o tempo muda.
Quando as cicatrizes não sangram mais, os ferimentos e dores físicas desaparecem ou transmudam-se em mentais ou espirituais. Nesse caso o líquido espesso de cor vermelha, que não corre mais das feridas, cede lugar ao outro, humor incolor e levemente salino, que em situações especiais ou inesperadas teima em escorrer pelos olhos.
Sementes
Algumas sementes de árvores não germinam ou, se o fazem, não se desenvolvem ao pé daquelas que lhes deram origem. Seleção dura e determinante para que procurem um local mais afastado das suas raízes a fim de que recebam água e nutrientes e da sua sombra para que recebam os indispensáveis raios do sol.
Em alguns casos os frutos e as sementes caem sob a frondosa copa da mãe. Gerações de jovens mudas nascem e passam algum tempo esperando, mirradas, que os dias da mais velha cheguem ao fim e umas poucas mais saudáveis herdem-lhe o alimento, a água e, mais ansiosamente, a luz.
Noutros casos animais comem alguns dos frutos e vão despejar os resíduos, incluindo as sementes que resistirem à digestão, em outros locais.
Espécies há, entretanto, que se anteciparam para evitar a disputa e a concorrência. Dotaram cada semente de formato, algodão, paina ou asas que lhes permitam voar. O acordo foi feito com o vento. No momento certo de deixar a proteção materna, aquele aparece e carrega os descendentes para outros lugares. As sementes viajantes pousam sobre qualquer superfície até o instante em que se dê o definitivo encontro com solo nutritivo e úmido sinalizando que é hora de lançar ancora ou raízes para perpetuar a hereditariedade.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Você nunca esqueceu nossos aniversários. Nós não esqueceríamos o seu. Talvez não caiba o feliz aniversário, o muitos anos de vida, exceto pela vida em nossas memórias. Não cabem o bolo e as sessenta velas que deveríamos acender hoje. Cabem, ou melhor não cabem, as saudades que acumuladas dentro de nós liquefazem-se e transbordam pelos nossos olhos.
Paz e muita luz.
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