segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Sementes
Algumas sementes de árvores não germinam ou, se o fazem, não se desenvolvem ao pé daquelas que lhes deram origem. Seleção dura e determinante para que procurem um local mais afastado das suas raízes a fim de que recebam água e nutrientes e da sua sombra para que recebam os indispensáveis raios do sol.
Em alguns casos os frutos e as sementes caem sob a frondosa copa da mãe. Gerações de jovens mudas nascem e passam algum tempo esperando, mirradas, que os dias da mais velha cheguem ao fim e umas poucas mais saudáveis herdem-lhe o alimento, a água e, mais ansiosamente, a luz.
Noutros casos animais comem alguns dos frutos e vão despejar os resíduos, incluindo as sementes que resistirem à digestão, em outros locais.
Espécies há, entretanto, que se anteciparam para evitar a disputa e a concorrência. Dotaram cada semente de formato, algodão, paina ou asas que lhes permitam voar. O acordo foi feito com o vento. No momento certo de deixar a proteção materna, aquele aparece e carrega os descendentes para outros lugares. As sementes viajantes pousam sobre qualquer superfície até o instante em que se dê o definitivo encontro com solo nutritivo e úmido sinalizando que é hora de lançar ancora ou raízes para perpetuar a hereditariedade.
terça-feira, 2 de junho de 2015
Você nunca esqueceu nossos aniversários. Nós não esqueceríamos o seu. Talvez não caiba o feliz aniversário, o muitos anos de vida, exceto pela vida em nossas memórias. Não cabem o bolo e as sessenta velas que deveríamos acender hoje. Cabem, ou melhor não cabem, as saudades que acumuladas dentro de nós liquefazem-se e transbordam pelos nossos olhos.
Paz e muita luz.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
domingo, 9 de junho de 2013
Difíceis dias.
quarta-feira, 27 de março de 2013
Náufragos
A foto abaixo é uma das muitas que fiz para uma série à qual dei o nome de "Náufragos".
A idéia da série é bem mais antiga que a foto, mas voltou à tona no dia em que vi um barco que havia se chocado com as pedras do canal de Peruibe/SP.
Durante todo este tempo venho fotografando o barco, que somente nestes dias está sendo retirado da praia para ser consertado ou refeito.
A noção de naufragio veio com as perdas que sofremos no dia a dia e com a luta, maior ou menor, que travamos para emergir do fundo dos oceanos onde somos atirados.
Os outros "náufragos" e algumas coincidências com a história desse mesmo barco, vou postando aqui aos poucos.
Quinze Meses.
É vergonhoso constatar que depois de amanhã terão transcorrido exatos 15 meses sem uma única postagem.
Nesses meses todos tenho tentado substituir a necessidade de escrever pela de fotografar.
Não tivesse uma gentil moça, a Stephanie, colocado um dos textos em sua página do Facebook e cobrado novas postagens, eu sequer teria aberto o blog. Aliás a existência do Face tem tomado tempo e assuntos que deveriam ser utilizados aqui.
Há mais tempo ainda não tenho feito gravuras.
Não sei a que atribuir, com exatidão, esse marasmo, mas espero sinceramente que a vontade de escrever, de pintar, gravar e fotografar suplantem esta aparente vagabundagem.
Um grande abraço prá Stephanie e prá algum eventual outro (se é que existe) que tenha sentido falta das postagens.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
De doces e amargos ou a aparente idiotia de acreditar.
Não faça projetos (a não ser que você seja engenheiro ou arquiteto e dependa deles para viver). Não faça planos (nem sequer planos de saúde). Não acredite em juras ou promessas (você sabe que não cumpre nem as suas, porque esperar que outros cumpram as que lhe fizeram. Viva um dia de cada vez. Viva o hoje, o aqui e agora. Não acredite em fábulas.
Nem formigas e nem abelhas fazem planos de absolutamente nada, por mais que nos dêem essa impressão. Por mais que nos iludamos, não constroem abrigos, ninhos, colméias e não fazem estoques de alimentos pensando no amanhã ou no inverno que poderá vir. Fazem isso porque fazem, por costume, por genética, há milhares ou milhões de anos. Não são melhores ou piores que as cigarras, que segundo as más línguas, apenas cantam.
Se houver luz as abelhas saem para buscar água, pólen, néctar ou resinas. Se não houver, não saem. Se houver fumaça, sabem que há fogo e se preparam para abandonar a colméia. Enchem o papo com mel e, por isso, tem dificuldade para ferroar quem quer que seja. Disso se aproveitam os apicultores, há centenas de anos. Jogam um pouco de fumaça dentro das colméias e se aproveitam para saquear o mel armazenado. Elas continuam sendo enganadas e não fazem seguros contra roubos.
Quando voltam para as colméias, depois das coletas, estão mais pesadas e voam mais lentamente. Disso se aproveitam as andorinhas, os bem-te-vis e outros pássaros, para comê-las. Não fazem seguro de vida, não há velório e ninguém sente a falta que possam fazer.
Nada se sabe sobre a vida eterna e o paraíso das esforçadas e dedicadas abelhas e sobre o inferno ou purgatório das maldosas andorinhas. Nada se sabe a respeito de quem fará o mel que as abelhas degustarão quando descansarem eternamente e nem o que sentirão os bem-te-vis ardendo no fogo do resto dos tempos.
Eu, mesmo me achando um idiota (hoje talvez um pouco mais), continuo imaginando coisas para depois, julgando que amanhã possa ser melhor, acreditando nas juras e promessas (hoje talvez um pouco menos), no romance, na poesia, no afeto, no companheirismo, no amor e na felicidade. Apesar dos acidentes e do doloroso amargor das perdas e desilusões, não se pode viver esperando o pior. Não há como se preparar para os enganos e as mentiras que virão sob pena de não avançarmos, como se andássemos sempre com um pé atrás, nos arrastando.
Mesmo cansados ou com noites mal dormidas, pela manhã levantamos acreditando ou desejando que o melhor aconteça. Algumas vezes acontece mesmo. Há cinqüenta por cento de chance de dar cara ou coroa (nunca se pensa na hipótese da moeda cair em pé).
Há méis doces e os há um tanto amargos (de flores de carqueja e bracatinga, por exemplo), mas não são estes os que esperamos quando levamos a colherada do pote à boca. Por precaução podemos experimentar o que nos couber, ir devagar e não apostar todas as fichas num único lance. Ou podemos nos jogar de cabeça. Saltar do trampolim mais alto. Escancarar o peito. Gargalhar em lugar do tímido sorrir.
Podem nos tomar por imbecis. Pode ser mais perigoso, pode doer mais, o sabor pode não ser exatamente o que esperávamos, mas, enquanto for bom e durar, é muito mais intenso. A sensação e o prazer nos tiram o fôlego, nos deixam lembranças e saudades, dão sentido ao viver. E você pode rir ou, mais freqüentemente, chorar com as recordações, mas muito pior é passar em branco. Aquela sensação, aquela angustia do nada, do vazio, do oco, contra os indeléveis momentos do pleno, do auge, do gozo, da máxima, ainda que breve, satisfação.
Não se incomode. Vão apontar-lhe nas ruas dizendo que você é um sonhador idiota. Que é um sentimental apaixonado e que se deixa enganar por idéias e pessoas. Alguns vão rir das suas lágrimas e das suas dores causadas pelo desbotar ou desaparecimento de ideais ou amores. Paciência! Assim como deve ser genético nas abelhas o ato de provisionar, é intrínseco aos sonhadores o amor desmedido e o acreditar permanente.
Nem formigas e nem abelhas fazem planos de absolutamente nada, por mais que nos dêem essa impressão. Por mais que nos iludamos, não constroem abrigos, ninhos, colméias e não fazem estoques de alimentos pensando no amanhã ou no inverno que poderá vir. Fazem isso porque fazem, por costume, por genética, há milhares ou milhões de anos. Não são melhores ou piores que as cigarras, que segundo as más línguas, apenas cantam.
Se houver luz as abelhas saem para buscar água, pólen, néctar ou resinas. Se não houver, não saem. Se houver fumaça, sabem que há fogo e se preparam para abandonar a colméia. Enchem o papo com mel e, por isso, tem dificuldade para ferroar quem quer que seja. Disso se aproveitam os apicultores, há centenas de anos. Jogam um pouco de fumaça dentro das colméias e se aproveitam para saquear o mel armazenado. Elas continuam sendo enganadas e não fazem seguros contra roubos.
Quando voltam para as colméias, depois das coletas, estão mais pesadas e voam mais lentamente. Disso se aproveitam as andorinhas, os bem-te-vis e outros pássaros, para comê-las. Não fazem seguro de vida, não há velório e ninguém sente a falta que possam fazer.
Nada se sabe sobre a vida eterna e o paraíso das esforçadas e dedicadas abelhas e sobre o inferno ou purgatório das maldosas andorinhas. Nada se sabe a respeito de quem fará o mel que as abelhas degustarão quando descansarem eternamente e nem o que sentirão os bem-te-vis ardendo no fogo do resto dos tempos.
Eu, mesmo me achando um idiota (hoje talvez um pouco mais), continuo imaginando coisas para depois, julgando que amanhã possa ser melhor, acreditando nas juras e promessas (hoje talvez um pouco menos), no romance, na poesia, no afeto, no companheirismo, no amor e na felicidade. Apesar dos acidentes e do doloroso amargor das perdas e desilusões, não se pode viver esperando o pior. Não há como se preparar para os enganos e as mentiras que virão sob pena de não avançarmos, como se andássemos sempre com um pé atrás, nos arrastando.
Mesmo cansados ou com noites mal dormidas, pela manhã levantamos acreditando ou desejando que o melhor aconteça. Algumas vezes acontece mesmo. Há cinqüenta por cento de chance de dar cara ou coroa (nunca se pensa na hipótese da moeda cair em pé).
Há méis doces e os há um tanto amargos (de flores de carqueja e bracatinga, por exemplo), mas não são estes os que esperamos quando levamos a colherada do pote à boca. Por precaução podemos experimentar o que nos couber, ir devagar e não apostar todas as fichas num único lance. Ou podemos nos jogar de cabeça. Saltar do trampolim mais alto. Escancarar o peito. Gargalhar em lugar do tímido sorrir.
Podem nos tomar por imbecis. Pode ser mais perigoso, pode doer mais, o sabor pode não ser exatamente o que esperávamos, mas, enquanto for bom e durar, é muito mais intenso. A sensação e o prazer nos tiram o fôlego, nos deixam lembranças e saudades, dão sentido ao viver. E você pode rir ou, mais freqüentemente, chorar com as recordações, mas muito pior é passar em branco. Aquela sensação, aquela angustia do nada, do vazio, do oco, contra os indeléveis momentos do pleno, do auge, do gozo, da máxima, ainda que breve, satisfação.
Não se incomode. Vão apontar-lhe nas ruas dizendo que você é um sonhador idiota. Que é um sentimental apaixonado e que se deixa enganar por idéias e pessoas. Alguns vão rir das suas lágrimas e das suas dores causadas pelo desbotar ou desaparecimento de ideais ou amores. Paciência! Assim como deve ser genético nas abelhas o ato de provisionar, é intrínseco aos sonhadores o amor desmedido e o acreditar permanente.
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